sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lugar de menina é na cozinha de brinquedo

Ontem fui numa loja ver brinquedos para meninas. Entre as muitas opções encontrei uma que disparou em mim um gatilho que abriu meus olhos para uma realidade bizarra. Entre as prateleiras, eis que encontro um Aspirador de Pó da Barbie! Com bolinhas cor-de-rosa que ficam rodando pelo tubo, como se fossem sujeira.

Logo a Barbie, que teoricamente (disse teoricamente) seria o modelo da mulher moderna e independente... servindo de tema para um brinquedo que não tem qualquer outra utilidade além de ensinar para as meninas que “o lugar da mulher é em casa”.

Comecei a ver outros brinquedos e cheguei à conclusão de que as mulheres são subjugadas desde a infância a esse papel. Os brinquedos dos meninos falam de aventura, construção, desafio, tecnologia, comunicação, afirmação. Meninos têm os Super-Heróis, donos da história. Meninas têm as Princesas Disney, sempre à espera do príncipe que resolva seus problemas. Os brinquedos para meninas falam de três coisas que, ao que parece, são as únicas preocupações de toda mulher:

1- Cuidar dos filhos

2- Cuidar da casa

3- Cuidar da aparência

Os brinquedos infantis ainda estão na década de cinquenta do século passado, quando a função da mulher era zelar pelo marido e senhor, fazendo sua comida, lavando sua roupa, criando seus filhos e ainda ficar bem bonita para quando ele voltasse do trabalho cansado, querendo possuí-la.

Brinquedos infantis ensinam as meninas a serem submissas e apáticas. A Mulher Maravilha, a meu ver, é a única referência feminina que salva. Talvez por isso mesmo é mais explorada como brinquedo masculino que feminino. Você pode dizer que as Meninas Superpoderosas ainda salvam um pouco, mas aí quando você vê o "fogãozinho das Meninas Superpoderosas" acaba concordando comigo. Como diria Maria-Moita: “Deus fez primeiro o homem, a mulher deus fez depois é por isso que a mulher sempre trabalha pelos dois”.

Para finalizar o post, e meu argumento, uma pequena lista (porque não?) sobre os brinquedos mais machistas que eu já vi:

1- Aspirador de pó da Barbie.
Não contente em fazer compras, ir ao salão e passear por aí com sua Mercedes cor-de-rosa, a boneca cinquentona ainda encontra tempo para tirar o pó da casa. Afinal se o Ken não vai querer casar com ela se ver que a casa está toda empoeirada .

2- Minha Lavadora de roupas.
Que tal já ir treinando a lavar as cuecas do futuro maridão? Nada de esfriar a barriga no tanque> Com esta linda máquina de lavar cor-de-rosa você estará muito mais preparada para uma vida enfadonha e frustrada de mulher do lar.

3- Kit de Beleza Hello Kitty.

A personagem felina sem boca é um símbolo de tudo que a sociedade machista quer da mulher: silêncio e obediência. Mas nada de se descuidar da beleza, senão seu marido pode perder o interesse em você, mulher moderna!

4- Fogãozinho Hello Kitty.
Que tal esquentar a barriga no fogão com esse sensacional brinquedo que te ensina o seu verdadeiro lugar? Brinque de esquentar a janta do maridão quando ele volta às 4 da manhã da gafieira cheirando a perfume vagabundo.

5- Pia.
Lavar pratos sujos é uma diversão que não tem preço. Traga sua filha para esse maravilhoso mundo de realização comprando essa linda pia de lavar pratos e talheres. Um pouquinho de detergente e pronto. Mas cuidado com as unhas. Mulher que se descuida da aparência perde seu amor.

6- Boneca imitação de bebê.
Que tal já ir treinando para cuidar da prole sozinha? Com essa linda boneca você limpa cocô, xixi e ainda troca fraldas! Vai se preparando. Muitas noites de sono perdidas, mas sem descuidar da beleza, é claro!


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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Revista SET paga pra ver.

A revista SET andou ruim das pernas nestes últimos anos. Com a falência e a ultra-seguimentação do mercado editorial, a revista tem passado maus bocados, já diminuiu de tamanho, foi cancelada, voltou e ainda tenta encontrar o caminhos das pedras pra se manter.



A estratégia é ousada. Se você se fizesse a pergunta, “o que colocar na capa para chamar mais atenção?”, provavelmente a resposta seria “Harry Potter”. Afinal, o filme do pequeno bruxo teve a melhor semana de estréia do ano (já fez 397 milhões de dólares no mundo)e fãs ardorosos pelo Brasil inteiro certo? Errado.



A Set arrisca e parte para um “pagar pra ver” que pode redefinir todo o direcionamento da revista. Entrando de cabeça na teoria do mercado de nicho, a capa deste mês é sobre o obscuro filme “Arrasta-me para o Inferno”, de Sam Raimi. A edição é uma homenagem ao cinema de terror, e vem ainda com uma lista com os 100 melhores filmes do gênero.



Como minha primeira revista sobre cinema foi a saudosa Cineview, edição especial terror/ficção, adorei a idéia e torço muito para que dê certo.



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Que tal um passeio em Chernobyl?

Em 26 de Abril de 1986, explodiu o reator central da usina atômica de Chernobyl (União Soviética) que libertou uma imensa nuvem radioativa contaminando pessoas, animais e o meio ambiente. A explosão ocorreu quando o sistema era testado em um dos blocos da usina, provavelmente devido à instabilidade do reator provocada por uma combinação de erros humanos, elétricos e devido à construção incompleta do reator.

Como resultado, a cidade ucraniana de Pypriat (a maior atingida) teve que ser esvaziada às pressas e a população foi obrigada a deixar toda sua vida e história para trás. Hoje Chernobil continua com índices altíssimos de radiação, mesmo assim ainda atrai turistas dispostos a correr o risco e conhecer essa verdadeira cápsula do tempo do comunismo soviético. vejam algumas fotos estarrecedoras da cidade fantasma de Pypriat.

Obs. se você já jogou Call Of Duty Modern Warfare vai achar as fotos particularmente impressionantes.


Bonus: uma filmagem de um turista que se arriscou a visitar a cidade.

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Os personagens mais pau-dágua da música

O meio musical é famoso pelos excessos. São muitos os relatos e depoimentos sobre festas monumentais produzidas por cachaceiros inveterados. Muitas também são as tragédias causadas pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Vamos tentar listar aqui os 10 maiores boêmios da história da música nacional e internacional.

VINÍCIUS DE MORAES
Esse é do tempo da bebedeira arte, da bebedeira poética, da bebedeira de um Rio de Janeiro que não existe mais. Autor de célebres frases como “O uísque é o melhor amigo do homem, o uísque é o cachorro engarrafado”. Nas suas open-houses (como se chamam as festas no apê de gente chique) a birita jorrava como chafariz e a criatividade rolava solta. Essas festas foram cenário da criação de muitas canções geniais e de muitos porres homéricos. Vinícius bebia bem e bebia muito. Pra você ter uma idéia, nos anos 70 o cenário de seu show era uma mesa de bar. Vale uma olhada neste trecho de entrevista dele com o parceirinho de copo Tom Jobim. Vinícius foi um boêmio das antigas que merece um lugar nesta lista. neste trecho de entrevista dele com o parceirinho de copo Tom Jobim. Vinícius foi um boêmio das antigas que merece um lugar nesta lista.

ZECA PAGODINHO
O sambista de Xerém é um dos últimos de sua linhagem que não têm vergonha de assumir sua paixão pela birita. Talvez seja o único (talvez último) artista brasileiro que ainda declara publicamente que gosta de beber “masiotras”. Zeca é visto sempre com um copo de cerveja na mão, tanto que acabou virando garoto propaganda de marca preferida de loira gelada. Chegou a causar até uma briga entre cervejarias rivais pela sua aprovação.

BON SCOTT
O primeiro e saudoso vocalista do ACDC também gostava de molhar o beiço. Ele era o estereótipo do escocês típico: usava seu kilt, tocava gaita-de-fole e era chegado num uísque. Esse era tão cachaceiro, mas tão cachaceiro que realmente morreu por excesso de bebidas alcoólicas. a versão mais aceita para sua morte é a de que tenha sido resultado de hipotermia. Em 1980, após uma noite de farra, ele teria sido deixado dormindo no interior de seu carro durante uma madrugada de temperaturamuito fria.

RAUL SEIXAS
Adorado por rodinhas de pinguços hippies de DCEs pelo Brasil inteiro, o maluco-beleza também gostava de cachaça, um hábito nada aconselhável para quem sofria de diabetes. Tanto é que Raulzito acabou falecendo cedo, em 89, de uma pancreatite recorrente ao abuso da marvada. É clássico o vídeo da internet onde ele aparece no palco completamente chapado e faz um show muito mais interessante do que é feito hoje em dia em luais pelos seus milhares de insuportáveis fãs.


JOHN BOHAN
O baterista do Led Zeppelin tem um histórico invejável de escândalos narco-sexuais, mas acabou derrubado foi mesmo pela cachaça. Um belo dia em 1980, na mansão de Jimmi Page, John Bonham entornou quarenta doses de vodca com suco de laranja (e três enroladinhos de presunto). No dia seguinte, o grupo chamou Bonham para o ensaio e ele não respondeu. Morreu sufocado pelo próprio vômito.

TIM MAIA
Este é um clássico que não sai de moda. Adepto do triatlo (uísque, pó e bauret) Tim bebeu o que podia e o que não podia, foi internado fugiu das internações diversas vezes. Só sossegou mesmo quando entrou pra seita “Universo em Desencanto”, o que não durou muito. Logo Tim se desencantou e regressou à boemia. Nos últimos anos chegou a beber três garrafas de uísque por dia, faltava aos shows e brigava com quem aparecia na frente. Morreu em 98, consequência dessa vida sem regras.

KEITH MOON
O Baterista do The Who também gostava de tomar uns goró, principalmente brandy e gin. Seus porres homéricos e suas confusões são históricos, como destruir quartos de hotel acender fogos de artifício dentro do banheiro e entrar com um Lincoln Continental dentro da piscina. Uma vez, tomou conhaque com comprimidos tranquilizantes para cavalos. Seu companheiro de banda, Pete Townshed (outro que por pouco não entra na lista) declarou: “a gente ficou sabendo que se colocasse meio comprimido dava uma onda interessante, ele gritou ‘Metade? Eu sou Keith Moon!' E tomou quatro pílulas” O resultado: Keith teve um colapso no palco tendo que ser substituído por um baterista da plateia. Moon tanto abusou que acabou morrendo em consequência de uma overdose do medicamento contra o alcoolismo em 78.

BADEN POWELL
Parceiro que é parceiro tem que acompanhar. E este era páreo duro. Autor de vários sucessos em parceria com Vinícius de Moraes e Paulo César Pinheiro, por exemplo, Baden era um gênio do violão tão gênio que assumiu que fez shows sem saber o que tinha tocado. “Eles simplesmente pegavam ele bêbado, colocavam numa cadeira no palco abriam as cortinas. Quando a luz batia em seu rosto, ele tomava um susto e tocava. Às vezes fazia shows de duas três horas sem saber o que tinha tocado”, declarou uma vez Paulo César. Maravilhosamente bem, incluo. Baden morreu em 2000, mas já tinha se livrado da pinga há muitos anos.

RINGO STARR
Porque os bateristas gostam tanto de um birinaite? Ringo é mais um batera famoso que também gosta de um pudim de cachaça. Depois que os Beatles se separaram oficialmente em 1970, Ringo dedicou-se ao que fazia melhor, festas. É fácil ver em diversos bastidores de shows pelos anos 70 a figura do baterista, sempre com um copo na mão, um tremendo arroz de festa do rock. Milionário, festeiro e com um currículo tal que não lhe exigiam que fizesse nada além do que já havia feito nos Beatles, Ringo teve a tranquilidade de passar os próximos 40 anos enxugando garrafas por dentro.

Outros notáveis:
Jim Morrison, Alice Cooper, Chico Buarque, Elton John, Tom Jobim, Eddie Van Halen, Danny Kirwan, David Byron (Uriah Heep), Eric Clapton, Micheal Clarke e Gram Parsons, (Byrds) Ronnie Wood, (Stones), Peter Townshend (Who).

Dicas dos leitores:
Frank Sinatra, Slash (Guns'n'Roses) Nelson Gonçalves, Nikky Sixx (motleycrue) Lemmy Kilmister (Motorhead) .

ATENÇÃO
Este blog lembra aos seus leitores para que bebam com moderação e que, na dúvida, dêem mais uma olhada na lista e vejam quantos dos listados continuam vivos.

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Faça sua própria maquete de Minas Tirith

Você é fã de Senhor dos Anéis? Muito mesmo? Então o que acha de fazer sua própria réplica da fantástica fortaleza de arquitetura númeroniana?? É muito fácil, com um pouco de madeira, pregos, lixa e paciência é possível!

Fritz, O nosso amigo virgem patético ensina como. Siga passo a passo.

Agora o maior problema é convencer sua mãe de colocar esse trambolho pra dentro de casa.

Update. Essas fotos são antigas. Ele já tá quase trerminando como atesta este outro site

Way to go, Fritz!

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Pérolas do Cinema (#7)

17 Outra Vez ( 2009 – Burr Steers)


Norte-americanos têm uma fascinação com o ensino médio. Também pudera. Nos Estados Unidos a HighSchool não é igual ao nosso “Segundo Grau”, onde você vai às aulas de manhã te tem a tarde livre pra ter outros amigo, outras atividades, não. A HighSchool americana toma 100% da vida social dos adolescentes. Eles passam praticamente o dia todo na escola, nas aulas regulares ou nas muitas atividades extra-curículares. É lá que fazem seus amigos e inimigos, encontram suas turmas, seus amores. Soma-se isso à patológica ética americana do elogio ao Popular e a ojeriza ao Loser. Enfim, é uma experiência tão forte e às vezes tão traumática que fica enraizada no subconsiente americano. Por isso mesmo acaba sendo tema preferido de milhares de filmes com este plano de fundo.

Assim, existem dois tipos de filmes bem comuns. Os que se passam na HighSchool e os que a personagem volta ao colégio, com sua mentalidade de adulto para reescrever sua história. É o caso de “17 Outra Vez”, com Zac Efron Mattew Perry.

No filme, Mike O'Donnell é um rapaz enquadrado na esfera dos populares, mas que, contrariando todas as regras tem um amigo nerd, Ned (falo do nerd porque ele vai ser responsável pelas melhores cenas do filme, aguardem). Astro do basquete o jovem tem uma carreira promissora e uma provável bolsa de estudos para jogar basquete universitário. Mas, ao descobrir que sua namoradinha de escola está grávida, larga tudo e se casa com ela.

Nesse momento vamos direto ao presente, onde um fracassado Mike vive se lamentando por ter perdido as chances de explorar todo seu potencial. Ele tem um emprego medíocre, com chefes muito mais jovens que ele, um casamento fracassado e nenhuma conexão com os filhos. É quando por obra de um misterioso guia espiritual (o famoso estereótipo do zelador sábio) ele tem a oportunidade de rejuvenescer e entender o sentido de sua vida.

Assim nosso herói começa sua jornada de auto-descoberta, tem que ajudar o filho a escapar dos Valentões da escola e a filha a colocar algum juízo na cabeça. E ainda reatar a conexão com a esposa.

O filme não tem manda de mais, é mais um da linha “troca de corpos” de “Quero ser Grande” “Vice versa” “De repente 30” “De volta aos18” e outros da mesma linha, que lidam com uma nova chance de aproveitar as oportunidades perdidas, mas é despretensioso e agradável de assistir. Só não espere nada muito genial. É um filme mediano de sessão da tarde. Pra ver comendo pipoca.

Mas então, porque usar esse espaço para falar de “17 Outra vez”? Lembra do amigo Nerd que eu mencionei lá em cima? Pois é, no futuro Ned (Thomas Lennon) se transforma num milionário desenvolvedor de softwares (ele desenvolve um programa que evita downloads ilegais de músicas, para anular um programa de download ilegal de músicas criado por ele mesmo) Graças ao Ned, e a um roteirista tão nerd quanto, o filme é uma enxurrada de referências sutis e escrachadas ao universo de Star Wars, Comics e Senhor dos Anéis. E isso realmente ganha o filme pra mim. A cama do cara é um landspeeder usado por Luke em “Uma Nova Esperança”. Ned e Matt chegam a travar um duelo de sabre de luz a certo ponto.

Cena inesquecível: O jantar entre Ned e a Diretora da escola, quando ele comenta que é só um bobo que gasta milhares de dólares no cajado usado por Gandalf, o cinzento em “As duas Torres”. Zac Efron também é destaque, ele pega bem alguns maneirismos de Mattew Perry, além disso apresenta tudo aquilo que você já viu em Highschool Musical: faz cara de bonzinho, joga basquete, dança, mas não canta. Ainda bem.

Cena pra esquecer: Tirando as hilárias referências nerds é um filme que não dura muito na memória. Mesmo para os fãs de Zac Efron e “Highschool Musical”. A participação de Mettew Perry é bem apagadinha, ele quase não tem chances de soltar o Chandler Bing que ele guarda dentro de si. Ainda bem.
Cotação PPP: O recém nascido quer ter 17 logo!



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sexta-feira, 17 de julho de 2009

TOP 5 DO MODERNISMO

Tá achando bonitas as rimas de seu rap? Tá achando bacana os stancils que você aplica pela rua? Tá achando uma boa escrever como se fala na internet? Agradeça aos modernistas.

Tão importantes como o próprio movimento, os personagens da Semana de Arte moderna conseguem ser tão intregantes como sua própria obra. Podemos definir o Modernismo Brasileiro como um movimento literário e artístico que integrou várias tendências já existentes, baseados na valorização da realidade nacional e na exaltação do pensamento moderno.Vamos agora falar de cinco nomes aos quais que você deve agradecer por ter a liberdade de escrever "vc", "pq" e tb".

Mário de Andrade

* 1893 São Paulo (SP)
+ 1945 São Paulo (SP)

Mário Raul de Morais Andrade, o chamado "papa do Modernismo", nasceu em São Paulo, à rua Aurora, em 9 de outubro de 1893. Na capital paulista, após o grupo escolar e o ginásio, matricula-se na Escola de Comércio Álvares Penteado, abandonando o curso após uma briga com seu professor de Português. No ano seguinte, 1911, matricula-se no Conservatório Musical de São Paulo, formando-se em piano. Jovem ainda, inicia suas críticas de arte escrevendo para jornais e revistas.
A partir de 1917, ano em que trava amizade com Oswald de Andrade, publica seu primeiro livro e "descobre" Anita Malfatti, transformando-se numa das mais importantes figuras de nossa vida cultural. Foi diretor do Departamento de Cultura do Município de São Paulo e professor de História da Música no Conservatório Dramático de São Paulo. Lecionou História e Filosofia da Arte na Universidade do Distrito Federal (RJ). Voltando a São Paulo, trabalhou no Serviço de Patrimônio Histórico. Morreu em São Paulo, em sua casa da rua Lopes Chaves, a 25 de fevereiro de 1945.
O volume de estréia de Mário de Andrade, Há uma gota de sangue em cada poema, publicado em 1917, retrata a Primeira Guerra Mundial e mostra-nos o autosr ainda influenciado pelas escolas literárias anteriores à Semana, com poesias que obedecem a normas de estética como a metrificação e a rima, de nítida influência parnasiana – O professor João Batista lembra que ao visitar a exposição de Anita Malfati em 1917, Mário de Andrade ficou tão maravilhado com suas pinturas modernas, revolucionárias, inovadoras, que lhe dedicou um... soneto parnasiano!


Oswald de Andrade

* 1890 São Paulo (SP)
+ 1954 São Paulo (SP)

José Oswald de Sousa Andrade cursou a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, bacharelando-se em 1919. Desde o retorno de sua primeira viagem à Europa, em 1912, trazendo as idéias do Futurismo, Oswald de Andrade transformou-se em figura fundamental dos principais acontecimentos da vida cultural brasileira 2 na primeira metade do século XX.
Homem polêmico, irônico, gozador, teve uma vida atribulada, não só no que diz respeito às artes como também à política e aos sentimentos: foi o idealizador dos principais manifestos modernistas; militante político, teve profundas amizades e inimizades, rumorosos casos de amor e vários casamentos (com destaque para dois: com Tarsila do Amaral e com Patrícia Galvão, a Pagu).

Anita Malfatti

* 1896 São Paulo (SP)
+ 1964 São Paulo (SP)

Anita Malfatti estudou na Alemanha e nos Estados Unidos. Regressou ao Brasil imbuída do espírito modernismo europeu e efetuou uma exposição em 1917, que despertou intensa polêmica e levou Monteiro Lobato a escrever "Paranóia ou Mistificação?", em que criticava com veemência a obra da artista. Foi uma das responsáveis pela Semana de Arte Moderna.
Expôs em Paris, Berlim, Nova York e outras grandes cidades do exterior. Importante retrospectiva em 1963 (VII Bienal de São Paulo).
O Homem Amarelo, A Estudante Russa, A Boba se incluem entre suas telas mais conhecidas. Segundo João Batista, sua importância é hoje mais histórica do que artística.


Tarsila do Amaral

* 1887 - Capivari (SP)
+ 1973 - São Paulo (SP)

Pintora brasileira. Estudou pintura com Pedro Alexandrino em 1917, e mais tarde com Elpons. Em 1920 mudou-se para Paris, passando a estudar com Émile Renard. Sofreu influência de Léger, André Lhote e Albert Gleizes, que a levou ao cubismo, trazido para o Brasil em 1924.
Por ocasião da visita de Blaise Cendrars ao Brasil, deu início à escola chamada Pau-Brasil, quando a artista retornou à tradição e simplicidade, influenciada pela beleza poética e ingênua das decorações populares das casas de Ouro Preto, São José del Rei, Tiradentes, Mariana e outras cidades mineiras. A seguir, aderiu à escola antropofágica de Oswald de Andrade, sendo “O Abopuru” seu principal quadro característico deste período (esse quadro abriu um novo momento na arte da pintura brasileira. É um quadro diferente, mesmo para ela. Seu nome Abaporu vem de "o Antropófago" na língua tupi-guarani).

Emiliano Di Cavalcanti

* 1897 Rio de Janeiro (RJ)
+ 1976 Rio de Janeiro (RJ)

“Antes que os trepidantes anos 20 se inaugurem vamos encontrá-lo estudando na Faculdade de Direito”, diz o professor João Batista. Em 1917 transferindo-se para São Paulo ingressa na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Segue fazendo ilustrações e começa a pintar. O jovem Di Cavalcanti freqüenta o atelier do impressionista George Elpons e torna-se amigo de Mário e Oswald de Andrade. Entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 idealiza e organiza a Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo, cria para essa ocasião as peças promocionais do evento: catálogo e programa. Faz sua primeira viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris até 1925. Freqüenta a Academia Ranson. Expõe em diversas cidades: Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdan e Paris. Conhece Picasso, Léger, Matisse, Eric Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses. Retorna ao Brasil em 1926 e ingressa no Partido Comunista. Segue fazendo ilustrações. Faz nova viagem a Paris e cria os painéis de decoração do Teatro João Caetano no Rio de Janeiro.

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